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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Riqueza Paísagistica


Concelho



Apresento algumas fotografias para lembrar algumas das maravilhas existentes neste concelho que alem de ter uma tradição na vinicultura bem vincada, oferece-nos também uma paisagem, de encher o olho.






O cavador

Vila de Santa Marta de Penaguião
Veiga
Marão visto de Medrões

Vinha em São João de Lobrigos

Marão

Queda de água entre a Povoa e Soutelo

Santa marta visto de Paredes de Arca


Rio Aguilhão

Nascer do Sol ( Marão)

Marão (Ermida)

Fraga da Ermida





Trilho das Belas Vistas

Trilho das Belas Vistas



Belas Vistas


É junto à igreja que o trilho adquire o seu começo, mas os olhos fogem para as alturas, para o cume da serra onde a capela da Senhora do Viso nos desafia as pernas e o alento, convite mudo mas claro ao ânimo do caminhante. Não se trata de nenhum milagre mas antes da vontade do caminhante em percorrer os quilómetros que leva os audazes a pôr as pernas a caminho, olhos postos nas desafiantes alturas, antecipando as magníficas vistas que facilmente se adivinham.

Assim, por entre as casas no início e, por entre a natureza depois, o amontoado gracioso de habitações vai ficando para trás, assinalado na alvura das fachadas e no braço pontiagudo da torre da igreja buscando o céu.

Mesmo antes de chegarmos ao cimo a paisagem revela-se magnífica, com povoações erguendo-se na colina ao lado e o Marão acenando mais acima, imponente na grandiosidade do seu granito cuja idade se perde nos evos. Mas é lá em cima que a respiração se suspende quando o Marão nos olha de frente. O abaulado das suas encostas, as múltiplas franjas esculpidas pela água, pelo vento e pela neve, num penteado magnífico de verde e cinza que no Inverno dá lugar ao branco luminoso, que descendo do cume desfalece no sopé. A partir daqui o trilho começa a descer, mas as surpresas ainda não acabaram. Numa cota inferior, mas mesmo assim muito alta, a capela do S. Pedro oferece uma visão hemisférica. Os montes perdem-se em onduladas linhas sucessivas, hesitantes entre o azul e o cinzento, onde a linearidade dos vinhedos se conjuga com o pontilhado das casas e dos olivais, em ritmos impossíveis, em desenhos de capricho extremo, em variação cromática consoante a estação do ano. Assim, o verde primaveril vai desmaiando em ocres e óxidos, em terras-de-siena e verdes secos, em sépias quentes, em castanhos e negros sedutores, que enfeitiçam o olhar dos fotógrafos e todas as almas sensíveis à beleza conjugada do espontâneo com o pensado.

O final do trilho faz-se quase todo na natureza, por entre o arvoredo que ladeia o caminho de terra, na protecção das folhas das avelaneiras e dos castanheiros, dos pinheiros e dos carvalhos, dos sabugueiros de doces bagas e aromático ramalhete florido. Mais rente ao solo abunda a miosótis, as campainhas e muitas outras belezas da flora natural. No ponto mais baixo, junto à estrada, as hortas férteis parecem ter caído das alturas, deslizando pelas encostas íngremes onde as vinhas desafiam a gravidade. O sentimento profundo com que se finaliza este percurso é de gratidão por existir um lugar como este.



Ficha Técnica do Percurso:
Nome do Percurso: Trilho das Belas Vistas
Entidade Promotora: Município de Santa Marta de Penaguião
Localização do Percurso: Fornelos
Tipo de Percurso: Pequena Rota
Âmbito do Percurso: Paisagístico
Ponto de Partida: Igreja Paroquial da Fornelos
Distância Percorrida: 12,6 km
Duração do Percurso: 4h 30m
Grau de Dificuldade: Moderado
Cota Máxima Atingida: 719 metros (Marco Geodésico da Lebre)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Trilho do Céu e da Terra

Trilho do Céu e da Terra

Lugar da Veiga



Podemos chamá-lo de Trilho da Terra e do Céu, tais são as alturas a que subimos e as profundidades a que descemos. Mas vale a pena o esforço. Compensa como uma nascente de água fresca quando o deserto cansa e a sede abrasa.

Do alto da capela de Santa Bárbara o olhar foge para a lonjura das cumeadas, que se perdem em gradações de cinzas e azuis, e delas regressa contrafeito. Com ele leva a imaginação e o sonho que alimentam a fantasia do partir à descoberta. Vila Real vê-se numa espécie de vista de pássaro em aproximação.

Os vinhedos e os olivais desenham os sulcos do esforço no chão xistos, fértil e íngreme. As povoações parecem rebanhos de casas pastando a verde paisagem e dão-lhe uma alegria alva e risonha.

Descendo as encostas íngremes, a que as videiras se agarram em filas e traços, encontramos a povoação de Veiga, um aglomerado de casas claras envolvido de verde, em sorriso alegre no fundo do vale, de pessoas simpáticas e comunicativas. É um verde fértil, festivo na abundância de hortas, de flores, de vinhas, de castas de uvas para vinho e para a mesa. De lá de baixo, do fundo do vale e olhando para as encostas que parecem tocar as nuvens, a visão é encantatória e chega a impressionar pela dimensão telúrica e humana que evidencia. De cima, da EN2, vê-se o vale profundo e plano enfeitado por desenhos de propriedades e vegetação, pelo Arcadela de águas límpidas e pelo sorriso alegre do casario.

As vinhas que dão uvas para o vinho do Porto empoleiram-se nos socalcos. As pessoas são de uma simpatia espontânea e comunicativa como só um povo que se habituou a tratar a mãe-terra por “tu” consegue ter. Amam o lugar onde vivem e estão-lhe gratas pela sua fertilidade.

            
“Não há terra como a Veiga em todo o Penaguião:
                        Penaguião só dá vinho, Veiga dá vinho e pão.”


Esta quadra, ensinada por um dos seus habitantes que no-la disse com um brilho de orgulho nos olhos, ilustra plenamente o que os olhos de todos os visitantes podem ver. Mas o Trilho, caprichoso e orgulhoso das suas belezas leva-nos a outros lugares. Todos eles têm algo de único, seja pela paisagem, seja pelas memórias gravadas nas pedras das capelas e das casas mais antigas.

Quando partimos, depois de percorridos todos os quilómetros, apetece-nos voltar uma e outra vez.


Ficha Técnica do Percurso:
Nome do Percurso: Trilho do Céu e da Terra
Entidade Promotora: Município de Santa Marta de Penaguião
Localização do Percurso: Cumieira
Tipo de Percurso: Pequena Rota
Âmbito do Percurso: Paisagístico - Cultural
Ponto de Partida: Igreja Paroquial da Cumieira
Distância Percorrida: 6,6 km
Duração do Percurso: 3h 30m
Grau de Dificuldade: Moderado
Cota Máxima Atingida: 468 metros (Ermida de Santa Bárbara) 

Trilho do Corgo

Trilho do Corgo


O Trilho do Corgo proporciona-nos uma viagem pela relação entre o homem e a natureza. Ao longo de todo o trajecto é possível admirar o resultado do labor que ao longo de séculos foi moldando o chão duro de rocha e dele fez brotar vinho. Impressiona a dimensão quase inimaginável desse esforço secular, quando se aprecia a espantosa paisagem transformada em riscas que mais parecem as curvas de nível de um mapa em que Deus se esforçou plenamente na criação de beleza e harmonia entre o homem e a natureza.

Nas ondulações de verde primaveril e de oiro outonal, nos declives acentuados, por entre o avolumar das encostas íngremes, esgueira-se o Corgo, rio furtivo, tímido e quase envergonhado da sua imensa beleza. Nas margens estreitas, aqui e ali mais largas e atapetadas de erva verde, a sombra dos amieiros, freixos e salgueiros convida a uma sesta em dias quentes.
Socalcos junto ao rio Corgo


Dos pontos mais altos vislumbra-se o infinito, por onde se perdem os cumes e as terras distante. Nalguns destes pontos erguem-se capelas que podem ser avistadas desde muito longe a testemunhar o milagre da transmutação da paisagem. Mas elas proporcionam também vistas de encantar para as povoações próximas e distantes, principalmente para o Peso da Régua, ali nas margens do Douro. Este trilho conduz até uma delas. De lá, consegue-se uma visão hemisférica e vê-se as habitações a pontuar de branco a verde paisagem.

As casas perfilam-se nas encostas desafiando a gravidade e são, geralmente, alvas. As ruas estreitas convidam ao sussurro da alma, mas o povo é alegre, comunicativo e muito simpático. “Terra de boa gente e terra farta”, disse um dos seus habitantes. E disse a verdade.




Ficha Técnica do Percurso:


Nome do Percurso:Trilho do Corgo
Entidade Promotora: Município de Santa Marta de Penaguião
Localização do Percurso: Alvações do Corgo e Lobrigos (S. João Baptista)
Tipo de Percurso: Pequena Rota
Âmbito do Percurso: Paisagístico
Ponto de Partida: Igreja Paroquial de Alvações do Corgo
Distância Percorrida: 11,0 km
Duração do Percurso: 4h00m
Grau de Dificuldade: Moderado
Cota Máxima Atingida: 442 metros (Marco Geodésio de S. Pedro)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Santa Marta, Sede de Concelho



Santa Marta de Penaguião é uma bonita Vila, sede de concelho, da região Norte do País, situada na fantástica Região Demarcada do Douro e muito afamada pela sua Adega Cooperativa, produtora de muito apreciados Vinhos, caracterizada pela natureza envolvente de campos de vinha a perder de vista, disposta em socalcos. 

Santa Marta de Penaguião apresenta vestígios de ocupação humana bem remotos, com algumas fortificações castrejas por todo o território concelhio, como em Fontes, Lobrigos, Cumieira, Louredo e Medrões. 
Apesar de alguns documentos referirem a vida municipal de Santa Marta de Penaguião, foi sem dúvida a criação da Região Demarcada do Douro, em 1756, que mais contribuiu para o desenvolvimento deste concelho, conferindo uma riqueza até aí nunca vista.

A vila está rodeada de uma paisagem magnífica, caracterizada pelos socalcos cultivados, pela imensa vinha, e pelo Rio Corgo, que confere uma beleza única ao conjunto, enriquecido com o património arquitectónico da vila, como a Igreja Paroquial com uma original torre sineira, o Pelourinho da vila ou os muitos Moinhos existentes por toda a região, uns comunitários, outros domésticos, símbolo da importância dos muitos cursos de água aqui existentes e da manutenção agrícola que se mantém ao longo dos anos. De destaque são também os Marcos Graníticos da Demarcação da Região do Douro efectuada em 1756, e que tanto alterou o rumo destas terras.

Marco da importância económica que os férteis solos da região e a criação da Região Demarcada do Douro possibilitaram a Santa Marta de Penaguião, encontram-se por toda a região diversos Solares e Casas Senhoriais, mormente dos séculos XVII e XVIII, como o Solar dos Pinheiros ou a Quinta do Bertelo.

As tradições de Santa Marta de Penaguião estão, elas próprias, muito ligadas á viticultura, como se pode observar no interessante Artesanato da região, nomeadamente em técnicas ligadas à cestaria e á tanoaria, bem como a tapeçaria, rendas e bordados que eram utilizados para servir doces e o Vinho do Porto.